Santos Gélidos
No mesmo vasto mar
Na mesma brisa suave
No mesmo céu nublado
Que nos ameaçava constantemente
Pagaremos nossa dívida.
Na mesma terra congelada
Onde os ventos cortam, congelam
Nossos corações sentirão o preço
Nesse mesmo pedaço de mundo
Onde a neve gélida cobriu o chão.
Estamos vagando
Sem direção
Apenas vivendo um sentido inverso
Em um mesmo círculo
Nossas vidas são carregadas.
A mais alta montanha
Ao mais distante caminho
Onde o branco cega nossos olhos
Onde a dor se fez entorpecente
Nossos sentimentos flutuam.
Fora de nossos corpos
Atrás do veneno de nossas veias
Ascendem uma vela
Como túmulos para suas agonias
Passam e refletem a sabedoria.
Neste mundo irreversível
As chuvas não cessam
Essas gotas nos limpam
Do passado que esquecemos
Nos conduz ao nosso destino.
Cortando esperanças
Que se perderam em nosso íntimo
E eternamente vagarão no desconhecido
Em busca de brasas para renascer
Aqui no abismo.
Nossas mentes produzem esses vendavais
Que atraem almas culpadas de sangue
E sobre o imenso tempo
Que jamais para
Congeladas estarão.

